Nos últimos meses, temos ouvido falar muito em crise e nas suas consequências, sobretudo as consequências sociais:desemprego, falências, crédito mal-parado violência, pobreza, até suicídio, etc. No entanto, do que mais se tem falado nos últimos tempos é da crise financeira e dentro desta da grande crise do Euro, o qual tem estado a desvalorizar perante o Dólar.
Na base dessa desvalorização do Euro temos os desiquilíbrios orçamentais em grande parte dos dezasseis países da zona Euro.
Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal são os países em que o desiquilíbrio orçamental é mais acentuado com um elevado défice e uma monstruosa dívida pública.
É normal que qualquer país zele por ter contas públicas equilibradas, pois só dessa forma uma nação se pode desenvolver, no entanto, todos se esquecem da forma como o restabelecimento do equilíbrio orçamental é feito: aumento de impostos, muitas vezes sobre as pessoas mais pobres ou da classe média e corte nas despesas públicas, sobretudo nas áreas sociais como na saúde, educação e segurança social, sendo depois substituídas por empresas privadas cruelmente lucrativas à custa da saúde, do trabalho e das poupanças das pessoas ou então à custa da caridade que algumas instituições vão fazendo e onde muitos dos seus membros aproveitam para mostrar à sociedade a sua generosidade e piedade para com os mais fracos, a quem muitas vezes não ajudaram em tempo oportuno.
Tudo em nome do "Deus Euro", esse sim, tem de ser salvo, isso já defendeu o primeiro-ministro, o presidente da república e o presidente do PSD,formando todos eles uma equipa coesa na salvação obrigatória do Euro, independentemente de tudo.
Parece que as pessoas não são nada, importante é o Euro, são os mercados, é a artificial União Europeia, são os mercados financeiros, é a especulação financeira, etc. Até parece que se o Euro e os mercados acabassem, acabaria o mundo, morreriam as pessoas, seria o fim do mercado.
O dinheiro existe, porque é uma criação humana e deveria ser, supostamente, para servir as pessoas, nunca o contrário. Afinal, o dinheiro e os mercados só existem porque existem pessoas, se deixasse de haver pessoas, deixaria de haver dinheiro e mercado.
Antes dizia-se: "amai a Deus sobre todas as coisas", depois "ama o próximo como a ti mesmo", agora a máxima é: "ama o Euro acima de tudo", logo vale a pena fazer sacrifícios, esforços inúteis, sofrer, até imular a vida em nome do maldito dinheiro.
Só se fala em salvar o Euro, então e as pessoas Maltrata-se o povo com leis obscenas que não respeitam os mais elementares direitos da pessoa humana; idolatra-se o Euro, contudo blasfema-se a Deus, indepenentemente de ele existir ou não, depende da crença de cada um, deve ser respeitado; dá-se o primeiro lugar ao dinheiro - Euro, mas destrói-se a natureza de onde tudo o que existe ao cimo da Terra veio.
Haja paciência para ouvir pseudo-sábios defender barbaridades destas, as quais não são mais do que a inversão dos valores que deveriam nortear a humanidade.
terça-feira, 13 de julho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Cavaco não foi ao funeral de José Saramago
Lamento a modo hostil como o jornal do Vaticano se referiu a Saramago, como sendo um Marxista, um radical, extremista contra à religião, como se os membros da Igreja nunca tivessem cometido "pecados", falhas, injustiças e considerando Saramago um enorme mal para o mundo, logo o melhor foi a morte. Isto revela a incapacidade que os membros da Igreja Católica têm para perdoar e reconhecer o valor das pessoas.
Em Portugal, o Presidente da República decidiu não ir ao funeral de Saramago. Cavaco Silva é um sectário que não representa todos os portugueses, representa-se apenas a si próprio e àqueles que como ele são conservadores, neoliberais e rancorosos para com um dos maiores escritores do mundo actual que não tendo feito nada de mal, segundo eles pecava por ser comunista, ateu, idealista e humanista.
Se Cavaco Silva fosse primeiro-ministro, neste momento, provavelmente, não teríamos dois dias de luto nacional e funeral com honras de Estado, com o argumento que Saramago tinha ofendido os maiores valores religiosos e era um radical político.
Saramago era um escritor e pensador: ele era comunista, mas questionou muitas vezes o próprio partido,;ele não era anti-Deus, mas questionou a Bíblia e a própria Justiça de Deus; ele era português, mas questionou Portugal, o seu povo, os seus dirigentes; ele era humanista, mas questionou o próprio Ser humano e o sentido das suas obras. A morte de Saramago revelou-nos, a sensibilidade de milhares de pessoas que lhe prestaram uma sentida e última homenagem, em segundo lugar, mostrou-nos a hipocrisia daqueles que eram contra ele e que agora vieram lamentar a sua morte, dizendo que ele era um grande escritor, em terceiro lugar, tornou visível o rancor daqueles que como Cavaco nunca perdoaram a Saramago escrever o que escreveu,
principalmente quando nas sua obras reinterpretou a Bíblia.
Apesar de não serem muitos, os poucos que foram ao funeral fizeram-no por convicção, ou porque partilhavam as suas ideias políticas ou porque eram leitores dos seus livros. Emocionou-me ao ver as pessoas a gritarem: Obrigado, Saramago! Tal como me fez soltar as lágrimas ao ver os leitores levantarem os livros que ele escreveu.
Em Portugal é sempre a mesma coisa, desde Camões, Cesário Verde, Eça, Fernando Pessoa, sem esquecer tantos outros génios literários portugueses e agora Saramago, foram ignorados, criticados, colocados em causa e até rejeitados pela maioria da população.
Deixo-vos a todos uma das estrofes do MAIOR texto alguma vez publicado em Portugal, da autoria do poeta maior: Luís de Camões. Ele que há quase quinhentos anos já se queixava dos seus feitos passarem despercebidos e serem ignorados pelo povo.
"Na mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada a a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza."
Luís de Camões, Os Lusíadas,Os Lusíadas - Canto X, estrofe 145.
Em Portugal, o Presidente da República decidiu não ir ao funeral de Saramago. Cavaco Silva é um sectário que não representa todos os portugueses, representa-se apenas a si próprio e àqueles que como ele são conservadores, neoliberais e rancorosos para com um dos maiores escritores do mundo actual que não tendo feito nada de mal, segundo eles pecava por ser comunista, ateu, idealista e humanista.
Se Cavaco Silva fosse primeiro-ministro, neste momento, provavelmente, não teríamos dois dias de luto nacional e funeral com honras de Estado, com o argumento que Saramago tinha ofendido os maiores valores religiosos e era um radical político.
Saramago era um escritor e pensador: ele era comunista, mas questionou muitas vezes o próprio partido,;ele não era anti-Deus, mas questionou a Bíblia e a própria Justiça de Deus; ele era português, mas questionou Portugal, o seu povo, os seus dirigentes; ele era humanista, mas questionou o próprio Ser humano e o sentido das suas obras. A morte de Saramago revelou-nos, a sensibilidade de milhares de pessoas que lhe prestaram uma sentida e última homenagem, em segundo lugar, mostrou-nos a hipocrisia daqueles que eram contra ele e que agora vieram lamentar a sua morte, dizendo que ele era um grande escritor, em terceiro lugar, tornou visível o rancor daqueles que como Cavaco nunca perdoaram a Saramago escrever o que escreveu,
principalmente quando nas sua obras reinterpretou a Bíblia.
Apesar de não serem muitos, os poucos que foram ao funeral fizeram-no por convicção, ou porque partilhavam as suas ideias políticas ou porque eram leitores dos seus livros. Emocionou-me ao ver as pessoas a gritarem: Obrigado, Saramago! Tal como me fez soltar as lágrimas ao ver os leitores levantarem os livros que ele escreveu.
Em Portugal é sempre a mesma coisa, desde Camões, Cesário Verde, Eça, Fernando Pessoa, sem esquecer tantos outros génios literários portugueses e agora Saramago, foram ignorados, criticados, colocados em causa e até rejeitados pela maioria da população.
Deixo-vos a todos uma das estrofes do MAIOR texto alguma vez publicado em Portugal, da autoria do poeta maior: Luís de Camões. Ele que há quase quinhentos anos já se queixava dos seus feitos passarem despercebidos e serem ignorados pelo povo.
"Na mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada a a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza."
Luís de Camões, Os Lusíadas,Os Lusíadas - Canto X, estrofe 145.
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Cavaco não foi ao funeral de José Saramago
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Faleceu José Saramago, outra luz que se apagou, mais trevas em Portugal
Dois dias depois de ter terminado a leitura do último livro de Saramago, Cain, eis que a bombástica e aterradora notícia do escritor surgiu.
Eu julgo que existem pessoas que nunca deveriam morrer, uma delas é José Saramago, porém ele tornar-se-á imortal, por um lado, a sua preciosa obra ser+a sempre recordada, por outro se existir a imortalidade da alma, tal como eu acredito, Saramago viverá para sempre na sua dimensão espiritual.
As polémicas que houve com Saramago foram absurdas, pois qualquer escritor é um criador, um trabalhador da palavra, dando a esta as mais variadas interpretações. Eu julgo que Saramago não pretendeu ofender nem a igreja, nem os políticos, nem os "cegos". Com os seus romances, apenas pretendeu questionar aquilo que para ele estava errado.
Julgo que existe algum cinismo da parte de alguns que em vida o consideraram como "pessoa má, indesejável, sem o devido respeito pelas instituições como a igreja ou a política" e que vêm agora dizer que se perdeu um homem que deu uma importante contribuição para a cultura portuguesa.
Recentemente,faleceram ou afastaram-se da vida activa um conjunto de pessoas valiosas para a cultura e o pensamento em Portugal, tal facto só vem ajudar o empobrecimento da nação, juntando-se ao empobrecimento económico e precipitando ainda mais depressa a falência do país, ou pelo menos da sua identidade cultural, económica e social.
Escritores como Saramago, neste momento, em Portugal não existem e dificilmente existirão, uns porque não têm oportunidade, outros porque não têm capacidade, outros porque, apesar de terem competência, enveredam por outros temas e modelos de escrita.
Eu julgo que existem pessoas que nunca deveriam morrer, uma delas é José Saramago, porém ele tornar-se-á imortal, por um lado, a sua preciosa obra ser+a sempre recordada, por outro se existir a imortalidade da alma, tal como eu acredito, Saramago viverá para sempre na sua dimensão espiritual.
As polémicas que houve com Saramago foram absurdas, pois qualquer escritor é um criador, um trabalhador da palavra, dando a esta as mais variadas interpretações. Eu julgo que Saramago não pretendeu ofender nem a igreja, nem os políticos, nem os "cegos". Com os seus romances, apenas pretendeu questionar aquilo que para ele estava errado.
Julgo que existe algum cinismo da parte de alguns que em vida o consideraram como "pessoa má, indesejável, sem o devido respeito pelas instituições como a igreja ou a política" e que vêm agora dizer que se perdeu um homem que deu uma importante contribuição para a cultura portuguesa.
Recentemente,faleceram ou afastaram-se da vida activa um conjunto de pessoas valiosas para a cultura e o pensamento em Portugal, tal facto só vem ajudar o empobrecimento da nação, juntando-se ao empobrecimento económico e precipitando ainda mais depressa a falência do país, ou pelo menos da sua identidade cultural, económica e social.
Escritores como Saramago, neste momento, em Portugal não existem e dificilmente existirão, uns porque não têm oportunidade, outros porque não têm capacidade, outros porque, apesar de terem competência, enveredam por outros temas e modelos de escrita.
domingo, 2 de maio de 2010
O Pinhal

CONVITE
o autor, Luís Ferreira, e a Papiro Editora. têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente no pré-lançamento promocional do livro O Pinhal, que terá lugar no dia 21 de Maio de 2010, pelas 21h30 na Bertrand Leiria Shopping, em Leiria.
Se quiser apareça! Será bem vindo/a à apresentação do meu quarto livro.
O livro estará à venda a partir do final de Maio ou de Junho nas principais livrarias de todo o país, incluindo nas lojas das cadeias Fnac e Bertrand.
No século XX, poderia ter havido um pinhal, com um terrno no seu centro, no qual se localizavam duas casas, onde vivia uma família.
Diariamente, aquelas pessoas lutavam não só pela sobrevivência, mas também pela presença da dignidade e pela presença da felicidade nas suas vidas.
As dificuldades, as contrariedades, as incompreensões, a violência doméstica e as barreiras fazim apremanentemente parte daquela família da Região Centro Litoral, a qual poderá ser a representação da luta de muitas famílias portuguesas das últimas décadas.
Ao ler este livro, poderá conhecer ou recordar o modo de vida e a forma de pensar das pessoas nos meios rurais de há vinte, trinta, quarenta ou mais anos e verificar as diferenças ou semelhanças com a actualidade.
Estarei disponível para sessões de apresentação, autógrafos ou puro e simples contacto com os leitores em qualquer ponto de Portugal, desde que seja combinado com alguma antecedência para que se possa acertar dia, hora, local e custos de uma eventual deslocação.
Este livro estará disponível a partir de finais de Maio/Junho em diversas livrarias do país, incluindo as cadeias FNAC e BERTRAND. Eu próprio também irei ter muitos exemplares, pelo que se pretender também poderá encomendar directamente a mim, sendo o custo igual ao das livrarias.
Espero lançar o meu próximo romance no final deste ano ou no início de 1011.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Portugal não evoluiu
Não quero estar a ofender ninguém, nem sequer pretendo generalizar, até porque existem muitas e boas excepções e talvez eu me inclua nos portugueses que não deixaram o passado para trás, mas esta temática deverá ser abordada, principalmente, numa época em que Portugal está perto do abismo ou até da sobrevivência enquanto país. A falta de união nacional talvez nos tenha ajudado a chegar onde chegámos.
Não tenho nada contra às pessoas do mundo rural ou das pequenas vilas e cidades, pois também nasci no campo e, neste momento, vivo numa cidade intermédia, outrora muito ligada à agricultura e à indústria. Até porque não podemos subestimar a importância dessas actividades económicas nos dias que correm.
Com o decorrer dos anos e com os acontecimentos que eu diariamente tenho visto à minha volta, nas várias regiões do país que tenho percorrido, tive de chegar a uma triste, mas inevitável conclusão: Portugal está igual ao que era há vinte, trinta anos atrás.
É certo que agora temos infraestruturas, é verdade que as novas tecnologias de informação e de comunicação invadiram as nossas vidas, também não é mentira que o nível económico da maioria dos cidadãos se elevou, embora actualmente estejamos a assistir a um retrocesso e, muitas vezes, a elevação do nível de ostentação seja em grande parte fictício, na medida em que este resulta de dinheiro obtido de empréstimos bancários, mas o maior problema de Portugal são é a evolução das mentalidades.
Continuamos a repudiar os emigrantes, uns porque têm a pele um pouco mais escura, outros porque trazem o ar sereno do Amazonas, outros porque vieram de países pobres da Europa de Leste e trazem as compras nos sacos de plástico do LDL.
Continuamos a rir-nos e a rejeitar as pessoas gordas, considerando que estas talvez por serem mais volumosas, mais pesadinhas e menos atraentes fisicamente possam não contribuir em nada para o progresso social, atirando-as, dispensando-as e atirando-as para um canto.
Ainda andamos com a ficção de oprimir os homossexuais, tentando impedir-lhes a plena cidadania, nem que seja através da concretização do seu casamento civil, como se nós tivéssemos que lhes impor uma moral, um estilo de vida ou porque nós sejamos responsáveis pelos seus actos.
Julgamos que os pobres e os desempregados são pura e simplesmente dispensáveis da nossa sociedade, porque nada contribuem para o progresso económico do país, classificando-os ainda de parasitas,subsidio-dependentes que se divertem no café e na rua enquanto nós trabalhamos com esforço e sem ver grandes progressos salariais.
Abominamos as pessoas de etnia cigana, por venderem calçado e roupa nas feiras, como se não pudessem ter direito a um negócio ou ainda por viverem em casas camarárias ou por receberem o rendimento social de inserção, afinal um direito legal consignado a qualquer cidadão português.
Ainda consideramos que as pessoas com deficiências têm de estar à margem da sociedade, não tendo o direito de trabalhar por causa da sua deficiência, logo da sua incompetência, como se eles não pudessem ter casa, família, enfim uma vida digna como qualquer outra pessoa.
Podemos não gostar de toda a gente, mas devemos ser tolerantes e devemos respeitar os direitos humanos de qualquer ser humano que habita este planeta, pois a terra não é de ninguém, é de todos e o ser humano é único e insubstituível.
Em 2010, a discriminação, exclusão, racismo, xenofobia, etc. ainda estão mais vincadas devido à crise económica e à grande competitividade a que estamos sujeitos, hoje desapareceu a solidariedade e a compreensão e estamos mesmo a caminhar para uma situação perigosa, próxima do estado animal, na qual vence sempre o mais forte. Ignoramos que todos têm direito a uma oportunidade ou até mais na vida, que todos são pessoas com potencialidades que não devem ser menosprezadas, mas sim aproveitadas e potencializadas.
Este conservadorismo hipócrita, retrogrado e provinciano continua enraizado e vejo com enorme frustração que daqui por vinte anos continuará, dado que os pais continuam a transmitir aos filhos o anti-valor da intolerância para com a diferença.
Eu até me atrevo a perguntar a esses intitulados preconceituosos, mas auto-intitulados iluminados cidadãos bucólicos: e os senhores não possuem fragilidades, diferenças, fracassos? E por que não criticar os corruptos, os oportunistas, os ociosos, os verdadeiros destruidores da nossa sociedade?
É certo que ainda existe alguma diferença entre os grandes centros urbanos e os meios rurais ou as pequenas cidades. Estas atitudes acontecem mais nuns locais do que em outros, também é verdade que existe alguma diferença entre quem tem mais ou menos formação, contudo até nos grandes meios urbanos ou nas elites culturais se assiste a opiniões e comentários que há muito deveriam estar irradicadas da nossa sociedade.
E eu a pensar que o racismo, a intolerância, a xenofobia e a lei do mais forte já estavam há muito irradicadas do nosso Portugal! É por esta e por outras que levam a nossa pátria em direcção a um abismo irreversível.
Só no dia em que terminar a inveja social, em que se pensar na união, no contributo de todos para o bem comum e no respeito pela diferença é que poderemos sonhar com a resolução dos nossos problemas económicos, sociais, culturais, etc. Enquanto reinar um clima de desconfiança, de mesquinhez e de exclusão, Portugal não resolverá os seus graves problemas, mesmo com muitos sacrifícios que possamos fazer fazer.
Uma sociedade evoluída é aquela que tolera a diferença e dá oportunidade a todos e não apenas a alguns, só porque têm dinheiro ou porque são o senhor A, a senhora B. Só com a integração social o sol poderá brilhar para todos.
O futuro não augura nada de auspicioso para ninguém, contudo temos de ter esperança no dia de amanhã, pois de novo o Sol reinará e outro galo cantará.
Não tenho nada contra às pessoas do mundo rural ou das pequenas vilas e cidades, pois também nasci no campo e, neste momento, vivo numa cidade intermédia, outrora muito ligada à agricultura e à indústria. Até porque não podemos subestimar a importância dessas actividades económicas nos dias que correm.
Com o decorrer dos anos e com os acontecimentos que eu diariamente tenho visto à minha volta, nas várias regiões do país que tenho percorrido, tive de chegar a uma triste, mas inevitável conclusão: Portugal está igual ao que era há vinte, trinta anos atrás.
É certo que agora temos infraestruturas, é verdade que as novas tecnologias de informação e de comunicação invadiram as nossas vidas, também não é mentira que o nível económico da maioria dos cidadãos se elevou, embora actualmente estejamos a assistir a um retrocesso e, muitas vezes, a elevação do nível de ostentação seja em grande parte fictício, na medida em que este resulta de dinheiro obtido de empréstimos bancários, mas o maior problema de Portugal são é a evolução das mentalidades.
Continuamos a repudiar os emigrantes, uns porque têm a pele um pouco mais escura, outros porque trazem o ar sereno do Amazonas, outros porque vieram de países pobres da Europa de Leste e trazem as compras nos sacos de plástico do LDL.
Continuamos a rir-nos e a rejeitar as pessoas gordas, considerando que estas talvez por serem mais volumosas, mais pesadinhas e menos atraentes fisicamente possam não contribuir em nada para o progresso social, atirando-as, dispensando-as e atirando-as para um canto.
Ainda andamos com a ficção de oprimir os homossexuais, tentando impedir-lhes a plena cidadania, nem que seja através da concretização do seu casamento civil, como se nós tivéssemos que lhes impor uma moral, um estilo de vida ou porque nós sejamos responsáveis pelos seus actos.
Julgamos que os pobres e os desempregados são pura e simplesmente dispensáveis da nossa sociedade, porque nada contribuem para o progresso económico do país, classificando-os ainda de parasitas,subsidio-dependentes que se divertem no café e na rua enquanto nós trabalhamos com esforço e sem ver grandes progressos salariais.
Abominamos as pessoas de etnia cigana, por venderem calçado e roupa nas feiras, como se não pudessem ter direito a um negócio ou ainda por viverem em casas camarárias ou por receberem o rendimento social de inserção, afinal um direito legal consignado a qualquer cidadão português.
Ainda consideramos que as pessoas com deficiências têm de estar à margem da sociedade, não tendo o direito de trabalhar por causa da sua deficiência, logo da sua incompetência, como se eles não pudessem ter casa, família, enfim uma vida digna como qualquer outra pessoa.
Podemos não gostar de toda a gente, mas devemos ser tolerantes e devemos respeitar os direitos humanos de qualquer ser humano que habita este planeta, pois a terra não é de ninguém, é de todos e o ser humano é único e insubstituível.
Em 2010, a discriminação, exclusão, racismo, xenofobia, etc. ainda estão mais vincadas devido à crise económica e à grande competitividade a que estamos sujeitos, hoje desapareceu a solidariedade e a compreensão e estamos mesmo a caminhar para uma situação perigosa, próxima do estado animal, na qual vence sempre o mais forte. Ignoramos que todos têm direito a uma oportunidade ou até mais na vida, que todos são pessoas com potencialidades que não devem ser menosprezadas, mas sim aproveitadas e potencializadas.
Este conservadorismo hipócrita, retrogrado e provinciano continua enraizado e vejo com enorme frustração que daqui por vinte anos continuará, dado que os pais continuam a transmitir aos filhos o anti-valor da intolerância para com a diferença.
Eu até me atrevo a perguntar a esses intitulados preconceituosos, mas auto-intitulados iluminados cidadãos bucólicos: e os senhores não possuem fragilidades, diferenças, fracassos? E por que não criticar os corruptos, os oportunistas, os ociosos, os verdadeiros destruidores da nossa sociedade?
É certo que ainda existe alguma diferença entre os grandes centros urbanos e os meios rurais ou as pequenas cidades. Estas atitudes acontecem mais nuns locais do que em outros, também é verdade que existe alguma diferença entre quem tem mais ou menos formação, contudo até nos grandes meios urbanos ou nas elites culturais se assiste a opiniões e comentários que há muito deveriam estar irradicadas da nossa sociedade.
E eu a pensar que o racismo, a intolerância, a xenofobia e a lei do mais forte já estavam há muito irradicadas do nosso Portugal! É por esta e por outras que levam a nossa pátria em direcção a um abismo irreversível.
Só no dia em que terminar a inveja social, em que se pensar na união, no contributo de todos para o bem comum e no respeito pela diferença é que poderemos sonhar com a resolução dos nossos problemas económicos, sociais, culturais, etc. Enquanto reinar um clima de desconfiança, de mesquinhez e de exclusão, Portugal não resolverá os seus graves problemas, mesmo com muitos sacrifícios que possamos fazer fazer.
Uma sociedade evoluída é aquela que tolera a diferença e dá oportunidade a todos e não apenas a alguns, só porque têm dinheiro ou porque são o senhor A, a senhora B. Só com a integração social o sol poderá brilhar para todos.
O futuro não augura nada de auspicioso para ninguém, contudo temos de ter esperança no dia de amanhã, pois de novo o Sol reinará e outro galo cantará.
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Portugal não evoluiu
quinta-feira, 25 de março de 2010
José Gil deu a última aula, mais uma luz que se apagou
Recentemente, a comunicação social deu a triste notícia - José Gil deu a sua última aula -.
Numa altura em que se desvaloriza o pensamento, as artes e humanidades, eis que um dos poucos filósofos e pensadores portugueses e mesmo mundiais terminou a sua vida activa.
Vai fazer falta aos milhares de jovens que necessitam de uma luz que os ilumine para que tomem as decisões certas, readquiram valores de conduta ética e descubram o verdadeiro sentido da vida.
É pena que José Gil apareça tão pouco na televisão e noutros meios de comunicação social, pois são pessoas como ele é que fazem falta e não economistas liberais, políticos e banqueiros que há dez anos nos pregam discursos terroristas e apocalípticos, os quais não melhoram em nada as nossas vida e o progresso de Portugal, antes pelo contrário estão-nos a arrastar para uma situação que se tornará a muito curto prazo insustentável, colocando milhões de seres humanos nas ruas da amargura.
Esses senhores que se julgam sábios nada mais têm do que dinheiro e poder e, apenas pretendem conduzir-nos à escravidão através de medidas de austeridade e da impossibilidade de novas soluções.
Enquanto não se der mais importância ao que dizem os pensadores como José Gil e a outros credenciados e conceituados pensadores, filósofos, professores ou pessoas ligadas às artes e às humanidades não haverá volta, pois apenas essas pessoas é que têm a chave, porque nos apontam outros caminhos em que o Homem é a chave e não o dinheiro e os números.
Não tenhamos ilusões, sem as pessoas nada se faz, por muitas contas que se façam, por bons Planos de Estabilidade e Crescimento que criemos, por muitos escravos que façamos.
Ouçamos, portanto, com mais atenção José Gil e outros pensadores actuais e não nos deixemos intimidar pelos discursos terroristas de economistas e políticos neoliberais ou de banqueiros.
A economia não irá nunca crescer com Planos de Estabilidade e Crescimento como o português, mas pior do que isso, nunca irá crescer se não valorizarmos as pessoas, a cultura e os valores.
Outro aspecto importante é a falta de valores de grande parte da sociedade, sobretudo da juventude. Hoje, grande parte dos jovens não tem hábitos de trabalho, respeito pelos superiores hierárquicos, etc. Ora a curto ou a médio prazo isso irá reflectir-se na economia.
Há, por conseguinte, que valorizar o ser humano, os valores, o trabalho, a responsabilidade, há valorizar os pensadores, a ver arte , ou seja, a literatura, a música, a pintura, etc. de verdade e não sensacionalismos e famas de ocasião.
Numa altura em que se desvaloriza o pensamento, as artes e humanidades, eis que um dos poucos filósofos e pensadores portugueses e mesmo mundiais terminou a sua vida activa.
Vai fazer falta aos milhares de jovens que necessitam de uma luz que os ilumine para que tomem as decisões certas, readquiram valores de conduta ética e descubram o verdadeiro sentido da vida.
É pena que José Gil apareça tão pouco na televisão e noutros meios de comunicação social, pois são pessoas como ele é que fazem falta e não economistas liberais, políticos e banqueiros que há dez anos nos pregam discursos terroristas e apocalípticos, os quais não melhoram em nada as nossas vida e o progresso de Portugal, antes pelo contrário estão-nos a arrastar para uma situação que se tornará a muito curto prazo insustentável, colocando milhões de seres humanos nas ruas da amargura.
Esses senhores que se julgam sábios nada mais têm do que dinheiro e poder e, apenas pretendem conduzir-nos à escravidão através de medidas de austeridade e da impossibilidade de novas soluções.
Enquanto não se der mais importância ao que dizem os pensadores como José Gil e a outros credenciados e conceituados pensadores, filósofos, professores ou pessoas ligadas às artes e às humanidades não haverá volta, pois apenas essas pessoas é que têm a chave, porque nos apontam outros caminhos em que o Homem é a chave e não o dinheiro e os números.
Não tenhamos ilusões, sem as pessoas nada se faz, por muitas contas que se façam, por bons Planos de Estabilidade e Crescimento que criemos, por muitos escravos que façamos.
Ouçamos, portanto, com mais atenção José Gil e outros pensadores actuais e não nos deixemos intimidar pelos discursos terroristas de economistas e políticos neoliberais ou de banqueiros.
A economia não irá nunca crescer com Planos de Estabilidade e Crescimento como o português, mas pior do que isso, nunca irá crescer se não valorizarmos as pessoas, a cultura e os valores.
Outro aspecto importante é a falta de valores de grande parte da sociedade, sobretudo da juventude. Hoje, grande parte dos jovens não tem hábitos de trabalho, respeito pelos superiores hierárquicos, etc. Ora a curto ou a médio prazo isso irá reflectir-se na economia.
Há, por conseguinte, que valorizar o ser humano, os valores, o trabalho, a responsabilidade, há valorizar os pensadores, a ver arte , ou seja, a literatura, a música, a pintura, etc. de verdade e não sensacionalismos e famas de ocasião.
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mais uma luz que se apagou
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Tempestade na Madeira
Ao assistir pela televisão e pela Internet à tempestade que assolou, destruiu e matou na ilha da Madeira, vieram-me à mente os três anos que vivi na baixa do Funchal, junto da Ribeira de Santa Luzia. Recordo-me de alguns dias de chuva forte e do barulho ensurdecedor e ameaçador da ribeira. Nesses dias, a minha reacção era ir para cima das pontes (muitas das quais ruiram agora) assistir à fúria das ribeiras, fúria essa que era ignorada pelos madeiresnes, talvez por estarem habituados.
Este cataclismo mostrou-nos o modo como as forças da natureza são brutais e invencíveis.
Esta tragédia obriga-nos de novo a reflectir sobre o sentido da vida, das construções megalómanas e da falta de solidariedade entre as pessoas por causa da sociedade competitiva e sem valores que temos.
No entanto, em momentos como este tudo é posto em causa e é quando tudo pára para se poder recomeçar de novo. É também nestas alturas que podemos ver a solidariedade entre as pessoas, a qual parece ter desaparecido, mas reaparece nestes momentos dolorosos.
Esta tragédia tal como a do Hiti ou no início do ano as inundações no Brasil e outras que se seguirão pode ser, por incrível e macabro que pareça, a salvação da humanidade em relação a uma possível guerra mundial, uma vez que a reconstrução que se seguiria a uma guerra, segue-se após a tragédias desta dimensão.
Muitos poderão ficar chocados comigo, mas a verdade é que o capitalismo internacional, após as crises, inventa, promove e pressiona para que ocorram guerras, para que depois haja reconstrução, logo crescimento económico e revitalização económica e financeira.
Estamos numa sociedade cujos valores são inexistentes e em que quase não existe sentimentos. Já chegámos ao ridículo de ver muitos jovens a rirem-se de imagens sobre o holocausto, porque acreditam nessas novas correntes, segundo as quais o holocausto nunca existiu. Por isso, estas tragédias provocadas pela natureza acabam por repor o equilíbrio e por nos forçar a ser mais humanos, sensíveis e solidários, até porque estes temporais são consequência do aquecimento global e este tem origem única e exclusivamente no factor Homem. Além disso, ciclicamente ocorrem tempestades como a que ocorreu na Madeira ou sismos como o que ocorreu no Hiti, portanto nós homens não somos assim tão omnipotentes, invencíveis e poderosos como muitos de nós julgamos.
Relativamente ao que se passou na Madeira, julgo que com o esforço e a solidariedade de todos os portugueses os madeirenses irão a muito curto prazo regressar à sua vida normal.
Cada povo possui característica boas e más. A maioria dos madeirenses tem uma característica muito boa que é a reacção adversidade. Se assim não fosse, seria difícil sobreviver numa ilha em que a orografia, o isolamento e por vezes o mau tempo dificultam drasticamente a estabilidade e o bem-estar das populações.
Este cataclismo mostrou-nos o modo como as forças da natureza são brutais e invencíveis.
Esta tragédia obriga-nos de novo a reflectir sobre o sentido da vida, das construções megalómanas e da falta de solidariedade entre as pessoas por causa da sociedade competitiva e sem valores que temos.
No entanto, em momentos como este tudo é posto em causa e é quando tudo pára para se poder recomeçar de novo. É também nestas alturas que podemos ver a solidariedade entre as pessoas, a qual parece ter desaparecido, mas reaparece nestes momentos dolorosos.
Esta tragédia tal como a do Hiti ou no início do ano as inundações no Brasil e outras que se seguirão pode ser, por incrível e macabro que pareça, a salvação da humanidade em relação a uma possível guerra mundial, uma vez que a reconstrução que se seguiria a uma guerra, segue-se após a tragédias desta dimensão.
Muitos poderão ficar chocados comigo, mas a verdade é que o capitalismo internacional, após as crises, inventa, promove e pressiona para que ocorram guerras, para que depois haja reconstrução, logo crescimento económico e revitalização económica e financeira.
Estamos numa sociedade cujos valores são inexistentes e em que quase não existe sentimentos. Já chegámos ao ridículo de ver muitos jovens a rirem-se de imagens sobre o holocausto, porque acreditam nessas novas correntes, segundo as quais o holocausto nunca existiu. Por isso, estas tragédias provocadas pela natureza acabam por repor o equilíbrio e por nos forçar a ser mais humanos, sensíveis e solidários, até porque estes temporais são consequência do aquecimento global e este tem origem única e exclusivamente no factor Homem. Além disso, ciclicamente ocorrem tempestades como a que ocorreu na Madeira ou sismos como o que ocorreu no Hiti, portanto nós homens não somos assim tão omnipotentes, invencíveis e poderosos como muitos de nós julgamos.
Relativamente ao que se passou na Madeira, julgo que com o esforço e a solidariedade de todos os portugueses os madeirenses irão a muito curto prazo regressar à sua vida normal.
Cada povo possui característica boas e más. A maioria dos madeirenses tem uma característica muito boa que é a reacção adversidade. Se assim não fosse, seria difícil sobreviver numa ilha em que a orografia, o isolamento e por vezes o mau tempo dificultam drasticamente a estabilidade e o bem-estar das populações.
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Temporal na Madeira
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